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A polêmica da importação de médicos

Participei, ao longo dos anos, de várias reuniões com representantes do Conselho Federal de Medicina e médicos do país. Sempre houve uma guerra cerrada contra a abertura de novas escolas de medicina, sob a alegação de que havia médicos sobrando no Brasil. Os que trabalhavam nos estados do Norte protestavam e defendiam novas faculdades, pois os que concluíam em outras regiões não se deslocavam para áreas de acesso mais difícil e com menos condições de trabalho. Tivemos o mesmo exemplo aqui em Mossoró, quando alguns colocaram obstáculos e se posicionaram contra o projeto da então deputada estadual Sandra Rosado, lutando por uma escola de medicina para a cidade. Hoje, ela é uma realidade e tem o apoio da maioria da classe.
Assumir posição contrária ao projeto do governo em contratar médicos estrangeiros é temerária. No projeto, constam médicos de Cuba, Espanha e Portugal, mas a grita é somente contra os cubanos. O Conselho Federal de Medicina ingressou, na PGR, com representação contra os ministros da Saúde, Educação e Relações Exteriores, argumentando sobre os riscos da importação de médicos sem critérios, com desrespeito aos médicos brasileiros e em desrespeito à legislação que regula o ingresso de médicos no país. Para o presidente do CFM, não faltam médicos no Brasil, mas condições para que eles possam se fixar nos locais de difícil acesso. Os médicos brasileiros querem a possibilidade de exercer a medicina em sua plenitude, afirmou.
O ministro Padilha, da Saúde, pensa diferente. Afirma que o Brasil tem um déficit de 54 mil médicos. Entre 2003 e 2011, foram ofertadas 147 mil vagas nesse mercado de trabalho, contra 93 mil profissionais formados. Nós últimos dez anos o Brasil acumulou uma carência de 54 mil médicos. Nós geramos 54 mil vagas a mais que formamos médicos. Nos próximos dois anos só com investimento do Ministério da Saúde serão abertas mais 26 mil vagas. Nós conseguimos 4 mil médicos pelo Provab, mas os municípios pediram 13 mil médicos, informou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Em 1.900 municípios há menos de um médico por 3 mil habitantes. Outras 700 localidades não têm médico nenhum com residência fixa.
São opiniões conflitantes que merecem ser consideradas por cada pessoa. Em defesa dos cubanos, Frei Betto escreveu artigo que inicia com uma interrogação: Se não chegam médicos cubanos, o que dizer à população desassistida de nossas periferias e do interior? Que suporte as dores? Que morra de enfermidades facilmente tratáveis? Que peça a Deus o milagre da cura? Dos 372 mil médicos registrados no Brasil em 2011, 209 mil se concentravam nas regiões Sul e Sudeste, e pouco mais de 15 mil na região Norte. Segundo dados da OMS, o melhor sistema de saúde do mundo é o da França. Os EUA ocupam o 37º lugar. Cuba, o 39º. O Brasil, o 125º lugar! E o SUS? Precisa de médicos.

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