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Edvaldo Fagundes e filho estão foragidos; oito são presos na "Operação Salt III"

Edvaldo e Rodolfo, foragidosEdvaldo e Rodolfo, foragidosAlvos da Operação Salt III, o empresário Edvaldo Fagundes de Albuquerque e o filho Rodolfo Leonardo Soares Fagundes de Albuquerque são considerados foragidos pela Polícia Federal desde a tarde de ontem. Os demais procurados pela PF em Mossoró estão presos, entre mulher, filhos, filha, genro, advogado, contador e administrador do Grupo Líder.
Nas primeiras horas de ontem, a Polícia Federal deflagrou em Mossoró, a "Operação Salt III", visando prender integrantes de uma organização criminosa que desde a década de 1990 estaria praticando delitos de sonegação fiscal, apropriação indébita previdenciária, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, com prejuízos estimados em mais de R$ 500 milhões.
Segundo informações repassadas pela PF, as investigações descobriram que o grupo se utilizava do artifício de criar "papercompanies" (empresas que só existem no papel), e fazia uso de laranjas para garantir o livre ingresso de receitas nos caixas de mais de 30 empresas envolvidas no esquema e que atuam no ramo de plásticos, tecidos, combustíveis, resina, construção civil e na extração de sal.
O grupo também é suspeito de promover o “branqueamento de capitais” ou seja, encobrir a origem dos bens e rendimentos (vantagens) obtidos ilicitamente, mediante complexo esquema de blindagem patrimonial contra as ações fiscalizadoras da Receita Federal.
De acordo com os procuradores federais que comandaram a ação policial, em entrevista coletiva à imprensa, na manhã de ontem, 20 pessoas foram denunciadas por organização criminosa, comandadas pelo empresário Edvaldo Fagundes. "Muito embora algumas das empresas do grupo ostentem patrimônio e receita para saldar suas obrigações tributárias, a organização se utiliza do artifício de criar empresas que só existem no papel, inclusive constituídas a partir da utilização de 'laranja', para garantir o livre ingresso de receitas nos caixas do grupo, assim como o branqueamento de bens, mediante complexo esquema de blindagem patrimonial contra as ações da Receita Federal do Brasil", destacam as ações, de autoria dos procuradores da República, Aécio Tarouco e Emanuel Ferreira.

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De acordo com as investigações, o Grupo Líder teria como "matriz" a empresa Tecidos Líder Indústria e Comércio Ltda., autuada pela Receita Federal pela primeira vez em 2004. Tal grupo protegeria o seu patrimônio dos órgãos ficais e de todos os seus credores, mediante sobreposição de empresas, sucessão empresarial, confusão e transferência patrimonial, dissolução irregular de diversas sociedades e interposição de pessoas como sócias das empresas.
Ontem à tarde, a reportagem do O Mossorense entrou em contato com o advogado Aurino Giacomelli, que defende a família Fagundes. Ele disse que no momento a família não vai se pronunciar sobre as prisões, devendo isso acontecer nos próximos dias.

De "homem mais rico de Mossoró" a foragido da Justiça Federal do Rio Grande do Norte

O empresário Edvaldo Fagundes um dia foi conhecido por ser "o homem mais rico de Mossoró". Não era para menos. O grupo empresarial dele atua em vários setores da economia com destaque para a indústria salineira.
Com muito dinheiro, ele era conhecido por gostar de fazer apostas em tempos de eleições. Sempre desafiava colegas empresários ao embate e sempre acreditava em vitórias de candidatos ligados ao DEM.
Nas eleições de 2012, saiu da condição de doador de campanha e atuação nos bastidores para a de um dos protagonistas do pleito.
Ele chegou a trazer à tona algumas de suas apostas e em uma entrevista a um jornal ele anunciou que doaria o dinheiro ganho em caso de vitória da então candidata Cláudia Regina. Ele chegou a listar as instituições de caridade que seriam beneficiadas.
No final, Cláudia ganhou com o apoio de Edvaldo que, além de ser o maior doador da campanha em números oficiais ainda apareceu como principal colaborador com o caixa dois da campanha demista, segundo investigação do Ministério Público.
Tanto a promessa de doações de recursos de apostas a instituições de caridade cujo anúncio induziu o eleitor a votar em Cláudia como o caixa dois, renderam cassações para a prefeita afastada do cargo e que tenta reverter 13 perdas de mandato no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ao final das eleições de 2012, Edvaldo chegou a ser lembrado para ser um postulante ao Senado, mas a não recuperação da popularidade da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) e os escândalos que o envolveram abortaram o sonho.

Foragidos estão sendo procurados pela PF

Dos dez componentes do Grupo Líder com prisão preventiva decretada, a Polícia Federal não conseguiu localizar, ontem, o empresário e apontado como líder do esquema, Edvaldo Fagundes de Albuquerque, e o filho Rodolfo Leonardo Soares Fagundes de Albuquerque.
Como até o fechamento desta edição, ontem à noite, a Polícia Federal não havia localizado os dois, nem se apresentaram voluntariamente, pai e filho são considerados foragidos da Justiça. A Polícia Federal continua em diligência para prendê-los. Ainda não se sabe se eles se entregarão.
Rodolfo Fagundes é um dos quatro filhos de Edvaldo Fagundes com mandado de prisão. Os outros três, dois homens e uma mulher, foram presos ontem: Ana Catarina, Edvaldo e Eduardo. A mãe deles e mulher de Edvaldo, Zulaide, também está presa.

Investigações da "Operação Salt" foram iniciadas no final de dezembro de 2013

A primeira fase da "Operação Salt" aconteceu em dezembro de 2013, quando a PF deflagrou a ação, também em Mossoró, para investigar lavagem de dinheiro e sonegação fiscal de centenas de milhões. Na época, 21 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará e Paraíba.
Já a segunda fase da operação, ocorrida em março deste ano, quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos na casa de um empresário do ramo salineiro e em três empresas do município. As investigações da PF apontaram que o empresário estava usando meios fraudulentos para importar máquinas industriais dos Emirados Árabes e declarar um valor subfaturado à Receita Federal. Com isso, ele conseguia um menor pagamento de tributos.
Ontem, na terceira fase, foram expedidos 10 mandados de prisão contra o grupo liderado por Edvaldo Fagundes (foragido). Foram presos: Ana Catarina Fagundes de Albuquerque, Edvaldo Fagundes de Albuquerque Filho, Eduardo Fagundes de Albuquerque, Zulaide de Freitas Gadelha, Tupinambá de Paiva Carvalho, Felipe Vieira Pinto, Genival Silvino de Sousa, Miguel Ângelo Barra e Silva. Rodolfo Leonardo Soares Fagundes de Albuquerque também está foragido.

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